De Ingleses para o Rio Grande do Sul: bombeiro detalha a angústia dos salvamentos

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Foto: Cabo Rodrigues com o bebê salvo durante o resgate

Foto: Cabo Rodrigues com o bebê salvo durante o resgate

Equipes do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina estão no Rio Grande do Sul atuando no salvamento de pessoas, e de animais, desabrigados pelas chuvas. Uma destas equipes, a FT 01, retornou recentemente e o Cabo Carneiro, morador do bairro Ingleses, contou ao Portal Norte da Ilha sobre a experiência da atuação em meio a tragédia gaúcha.


Foram quantos dias no Rio Grande do Sul?

Nossas equipes foram as primeiras a chegar. Então, vimos os níveis do rio subir durante três dias em Cruzeiro do Sul.


Há quanto tempo você é bombeiro, e já atuou em situação parecida?

Sou bombeiro há 12 anos, especializado em desastres, já viajei mundo afora representando o Corpo de Bombeiros Militar de SC, vi cidades serem evacuadas no Canadá e tomadas pelos incêndios florestais, atendi a enxurrada do ano passado no vale do Taquari, incêndios florestais na Amazônia, várias enchentes em SC, desastres naturais, mas uma catástrofe igual a essa eu nunca vi e acho que não vou ver, se Deus quiser. Quase morremos várias vezes resgatando as pessoas.


O que mais te marcou durante os salvamentos?

O que mais me marcou foi quando, por casualidade chegamos a Cruzeiro do Sul e ao apitar no meio da enxurrada o bairro inteiro começou a gritar por socorro.

Nesse momento eu e meus colegas da FT 01 achamos que não íamos conseguir salvar aquele povo todo. Mas Deus nos guiou e aquela noite salvamos quase 200 pessoas.


Sobre essa foto com o bebê no colo, conte sobre ela.

Esse resgate comparado a outros foi simples, pois estavam os pais e o bebê acima do telhado e a correnteza estava forte somente pela frente da casa, então passamos por baixo da fiação dos postes e abordamos por traz da casa para dar mais segurança aos 3

Logo os levamos até a olaria próxima da casa juntamente com outras vítimas que estavam no bote. A uns 7 km da cidade

No dia seguinte fomos trazê-los com mais segurança pois tinha a luz do dia, aí foi a chegada mais próxima do centro de Cruzeiro do Sul onde tiramos a foto.

O resgate foi relativamente simples, mas o trajeto até a olaria foi sempre muito tenso, enfrentando a corrente com os botes cheios de vítimas. Não havia colete pra todos, mas não dava tempo de fazer muitas viagens pois o Rio subia rápido de nível aquela noite.


Você tem filho? Que lições tira de tudo o que viveu nos resgates?

Sim, meu filho tem 23 anos.Bom, lições são muitas.Primeiro dia em casa não consegui dormir, pois eu estava numa cama quentinha e seca.Não adianta dinheiro nessas horas, a natureza é implacável. Reclamamos muito, acumulamos muito, e achamos que somos fortes.Não somos nada perante as forças da natureza. Não consegui arrumar meus pensamentos ainda, criamos um vínculo com aquela gente.


Você gostaria de voltar para o Rio Grande do Sul?

Só saímos de lá porque o comando nos deu a ordem. E não voltei ainda pelo mesmo motivo, mas quero voltar àquele lugar e ajudar aquela gente que perdeu tudo.















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